quinta-feira, 28 de março de 2013

C. E. Dom Pedro II inaugura Oficinas de Mediação de Leitura


Turma da Manhã
No último mês de outubro, foi realizado no Colégio Estadual Dom Pedro II, em Petrópolis, projeto-piloto de “Oficinas de Mediação de Leitura”. As oficinas foram realizadas no contraturno dos alunos, em encontros semanais de duas horas.
Este projeto surgiu da necessidade de se criar um espaço para atividades sistemáticas de leitura literária. Muitas vezes, os professores se queixam de que os alunos leem pouco, no entanto, é preciso reconhecer que o tempo da leitura é diferente do tempo vivenciado hoje pela cultura de massa. E foi justamente com o intuito de criar um tempo propício à leitura que surgiu a proposta das oficinas. Nesta primeira fase do projeto, os alunos tiveram a oportunidade de ler autores como Manoel de Barros, Zélia Gattai, Antônio Gil Neto, Rostand Paraíso, Machado de Assis, Eduardo Galeano e Carlos Drummond de Andrade.
Há um viés teórico permeando cada encontro, que tem como base o pensamento de Paulo Freire que diz que antes de realizarmos a leitura dos textos, realizamos a leitura de nós mesmos e a leitura do mundo que nos cerca. Então, cada oficina contempla esses “estágios” de leitura: sempre prevê atividades que partam da “leitura do eu” para a “leitura do mundo” e, posteriormente, para a leitura dos textos.
 Outro princípio norteador é o de dar voz às experiências de leitura dos alunos. É preciso que cada atividade venha carregada das experiências existenciais deles. Dessa forma, o envolvimento com o universo literário ganha sentido em suas vidas. Os alunos acabam percebendo que, na medida em que as narrativas contam as histórias de seus personagens, contam também a nossa história, como já disse Umberto Eco, no belíssimo texto “A literatura contra o efêmero”, no qual defende que a educação para o fado e para a morte seria uma das funções principais das narrativas imodificáveis.
O resultado acabou surpreendendo as professoras Flávia Luzia de Paula Bon Cardoso e Anna Angélica Pinter Sarmento, responsáveis pelo projeto. Ao final de cada oficina, os alunos produzem textos nos seus livros de memória que “arrematam” a experiência que tiveram ou que desencadeiam a próxima oficina. No último texto produzido, no qual deveriam dizer o que as oficinas significaram para eles (o trabalho será retomado no próximo ano) pode-se ler coisas como: “A oficina trouxe para perto momentos que pareciam perdidos na imensidão do tempo (...). É bom ter algo que fortaleça o sentimento de querer ser uma pessoa melhor, a cada dia, só por ter a certeza de que essa é a melhor saída.” Ou ainda: “Aprendi a importância de minhas memórias e do meu passado. E que eles são sim responsáveis pelo que eu sou hoje, mas não são uma regra que me impeça a mudança. E, por último e mais importante, foi perceber que, de fato, eu posso ser o autor do meu próprio futuro. A definição do gênero e do fim da minha própria história é minha, e dependerá das escolhas que eu tomar a partir de agora.”
Livros de Memórias I
Livros de Memórias II
Livros de Memórias III
Turma Completa
Nota: Essa matéria foi publicada no http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/ com "certa" edição, esse é texto original escrito pela organizadora do projeto a Professora Flávia Luzia de Paula Bon Cardoso.

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